não percebo muito bem a tendência do momento, a de não ter de assumir responsabilidade por absolutamente nada. podemos ver isso com o exemplo das celebridades. anunciam que são alcoólicas, que tomaram drogas, que trataram alguém mal e recebem um quase aplauso. validado pelos média. venerado pelos média. viciados pelos média. por serem tão corajosas a admitirem as fraquezas. por se darem ao esforço de algo tão difícil. por mostrarem o lado imperfeito e humano. há um momento em que essa treta vai parar ou já caímos tão fundo na sociedade do espetáculo que é tarde demais para a salvação?
desde quando é que a admissão de asneiras que se fez torna a pessoa num quase herói? desde quando é que o facto de falar limpa tudo, apaga tudo? desde quando não há consequências de nada? chega compartilhar com a humanidade inteira e pode se ficar a mesma pessoa fabulosa. não é preciso fazer mais nada. parte-se do zero. não se perde nada. não importa o que se fez de mau ou de negativo. não importa o que se negligenciou. não importa onde se falhou. não importam as deceções que se causou. chega só admitir. todos vão se esquecer do resto no dia seguinte. que raio de mentalidade… e o que isso promove…
tudo ou quase tudo se tornou tolerável. aceitável. quase fixe. único. individual. todos ou quase todos os comentários são vistos como negativos a mais. ofendem. magoam. invadem territórios. e privacidades. não deixam as pessoas se exprimirem. matam potenciais. impedem o desenvolvimento pessoal na direção que se quer. porque há tantas maneiras de fazer as coisas quantos há indivíduos. nada de mais errado.
na matéria de valores de base há só uma maneira certa de fazer as coisas. e cada deviação do caminho tem consequências. e repercussões. que é preciso assumir. e agir em função delas. a vida não é um videojogo em que cada um tem um número indefinido de vidas. e um número indefinido de oportunidades. e de avatares. não podemos escolher em cada momento ser outra pessoa. de nos ver sempre como a vítima do momento. somos a pessoa que construímos. lenta e cuidadosamente desde os inícios da nossa vida. somos o que não dizemos. o que não fazemos. e o que não assumimos. e essas coisas deixam uma marca em nós. para sempre.
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