quarta-feira, 24 de junho de 2015

uma derrapagem

falsa modéstia à parte, acho que sou muito boa a oferecer prendas. não compro só por comprar, escolho bem, personalizo, tento encontrar coisas invulgares, pergunto-me sempre do que a pessoa gosta, leio nas entrelinhas; resumindosou mulheramente (deve bem haver alguma vantagem deste sexo; e sei que a palavra tecnicamente não existe) atenciosa aos detalhes, às preferências, aos suspiros, aos sorrisos. e às cores. compro o que a pessoa gostava de receber. não o que eu queria que me oferecessem.

mas deve ser algo pouco comum, a julgar pelas prendas que recebo. no
jusqu'ici tout allait bien
ano passado a beata ofereceu-me pelo meu aniversário um livro sobre alergias. muito fixe, mas além das picadas de insectos, não sou alérgica a absolutamente nada. se calhar à estupidez humana, mas acho que uma tal doença não figura nos manuais de medicina. e de certeza não se consegue curar. deste ano consegui evitar o fracasso - a beata perguntou-me se eu preferia receber um livro, que para não entrar em demasiados detalhes podia ser resumido à palavra auto-ajuda, em polaco ou em inglês. e acrescentou que achou que eu ia preferir o inglês e já mo comprou. bem, mas o problema é que eu preferia não o receber de todo, porque acho que já estou a auto-ajudar-me o suficiente. e um grama mais de auto-ajuda até me podia matar. ela ficou extremamente desiludida. ainda mais quando eu a lembrei que não queria receber nenhuma flor. merda, é o aniversário de quem?

além das prendas que consegui evitar, recebi um rímel. eu não uso maquilhagem. não me sinto eu mesma com cores pintadas na cara. é uma perda de tempo e dá demasiado trabalho. não tenho vida para isso. e também acho que tenho um ar suficientemente bom sem. não quero colocar ainda mais pressão nas outras mulheres ;)

recebi duas pulseiras. só uso brincos. e o mesmo anel há anos no dedo mindinho. não uso outras jóias porque me incomodam e porque não gosto. sou minimalista. a primeira pulseira é tão grande que eu a podia usar no pé, no braço não dá. cai no chão imediatamente. ao dar-me a outra, uma conhecida disse-me que ela sabia que eu não usava pulseiras e por isso decidiu oferecer-me uma. pelos vistos não lhe ocorreu que havia uma razão pela qual eu não as usava.

e hoje, a cereja do bolo. e o bolo foi literal. salvo que não houve cerejas mas maçã. já não sou uma grande fã de fruta em geral. é doce demais. das coisas doces, só gosto de chocolate. mas com maçãs só as consigo comer cruas ou na forma dum doce básico. as assadas, os sumos - detesto. os bolos - posso comer uma fatia pequenina quando for preciso. então acabei por dar o bolo aos meus vizinhos. parto do princípio de que quando tenho algo do que não preciso ou não gosto imenso, é sempre melhor dá-lo a alguém que precisa ou que vai gostar mais.

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