uma aluna de dez anos perguntou-me hoje se eu acreditava no pai natal. porque ela acreditava, mas muitos colegas da turma diziam que ele não existia. e ela não queria que fosse verdade. hesitei no que dizer. perante coisas frágeis, esperanças e crenças, castelos de nevoeiro e tudo o que é invisível aos olhos, não se estraga tudo num gesto só. era uma acção com demasiadas consequências. imprevisíveis. a longo prazo. são coisas que já não se conseguem reconstruir outra vez. nem esquecer. nem desaprender. é como com a confiança - quando se a perde, já é impossível tê-la duma maneira tão cega outra vez. ou se calhar mesmo de todo. é estranho que se possa destruir tanto com tão pouco. com uma palavra ou até com um olhar. respondi que acreditava.
e não menti (que os puristas da verdade se fodam). claro que não acredito que haja um homem de barba branca e chapéu cor da coca-cola a distribuir prendas no fim do ano. mas deve-se olhar para o panorama completo. acredito na pureza. na inocência. na sinceridade. na simplicidade. na beleza. nas grandes aspirações. na generosidade. nos gestos pequenos, destinados a fazer melhorar o quotidiano. independentemente da forma que tomem. e de como ingénuos pareçam. e acho que ninguém tem o direito de os destruir. ou desprezar. ou denegrir. ou dizer à pessoa de parar.
são poucos os que encontram caminhos povoados com ideias puras. e que têm a força de deixar por atrás a mediocridade diária. então não se pisa nas flores que se encontra no chão.
| ganhar pureza |
são poucos os que encontram caminhos povoados com ideias puras. e que têm a força de deixar por atrás a mediocridade diária. então não se pisa nas flores que se encontra no chão.
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