domingo, 27 de dezembro de 2015

(des)obrigações

seguir ou não seguir padrões?
ultimamente ouvi dizer que era preciso fazer coisas das quais não se gostava (e não estou a falar de trabalho ou do estado da alma que se tem quando se está a pagar contas pela internet, mas das complicações e meandros das relações humanas) quando as circunstâncias ou as expetativas o mandavam. era? realmente? devo discordar. não o vejo assim. e nem sinto preocupação nem pressão por isso. também não percebo realmente como é que se as pode sentir. deve faltar-me um chip social, uma função que me faz identificar com um grupo, com um bem coletivo, com expetativas médias, com funções sociais, com um padrão definido por sociólogos e adorado por psicólogos. devo ser anormal. mas não vamos chorar por isso. há coisas bem piores que acontecem.

essa mentalidade e essa necessidade de corresponder e de se afirmar aos olhos dos outros é algo que oficialmente não percebo. não encaixa na minha visão da vida. não sei como se consegue chegar a um ponto em que se quer fazer o que as outras pessoas fazem só para não parecer diferente. em que o medo de ser diferente empurra a fazer idiotices e ilogismos só para não se sentir excluído do grupo das pessoas fixes. nunca fiz parte dele. e há mais de 20 anos que isso já nem me aquece nem arrefece. deveria importar-me com o que as pessoas acham de mim só porque as ciências humanas definem o homem como um animal gregário? atribuem-lhe pulsões com as quais não me consigo identificar? não chega. há coisas mais importantes. o que me interessa é a minha opinião sobre o assunto. as minhas expetativas. a minha visão. porque sou a única pessoa que está na minha cabeça. e não quero arrepender-me por ter escolhido coisas erradas. pelo menos encaixo lindamente no pré-definido egocentrismo humano. que é uma realidade, quer se queira ou não. se calhar sou mais associal de que anormal. também não vamos chorar por isso.

só tenho uma vida. e quero decidir sozinha. definir sozinha. abdicar sozinha. inventar as minhas definições do fixe. e modos de prosseguir, de fazer. e se eles não corresponderem (e na maioria dos casos não correspondem) às definições geralmente aceites, paciência. não vou chorar por isso. conheço muito bem o preço a pagar e mesmo assim, vale a pena. ao seguir as pessoas, cegamente, em desacordo com o que se é e o que se pensa, perde-se muito. perde-se quase tudo. estraga-se quase tudo. honestidade. sinceridade. auto-estima. paz interior. satisfação. esperanças. amor próprio. morre-se milímetro por milímetro. torna-se insensível. amargo. desiludido. pisa-se nos sonhos que se tinha. sufoca-se com o ar que se respira.

prefiro não ser fixe.

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