insanity: doing the same thing over and over again and expecting different results. albert einstein
há muitos anos li um artigo a apresentar uma experiência feita por cientistas. uma mosca e uma abelha foram postas dentro de duas garrafas vazias e abertas, sem tampa. na outra extremidade de cada garrafa, no exterior, foram colocadas lâmpadas acesas. estudou-se o comportamento da mosca e da abelha para ver como iam prosseguir para saírem das garrafas respetivas.
a abelha, um inseto reputado pela sua inteligência, e outras virtudes, dirigiu-se para a fonte luminosa. era o que costumava fazer, a sair de troncos de árvores vazios, de estábulos ou da colmeia - voar na direcção da luz, da claridade. mas dessa vez não funcionou; o vidro era um obstáculo. todavia, a abelha não queria parar, a bater nele, a voar em círculos, a não desistir, obstinada e absurda, nunca a querer tentar outra alternativa, nunca a pensar em opções, nunca a questionar, nunca a usar os seus atributos intelectuais, já que os tinha. era necessário interromper a experiência ou morria por exaustão, presidiária dessa sua suposta inteligência que quase a matou em vez de a salvar.
a mosca ficou tranquila, estúpida demais para se fazer perguntas existenciais, ficar frustrada ou querer perseverar. a luz nem a aquecia nem arrefecia. não tinha plano nenhum. não queria seguir os padrões que estabeleceu com a experiência, porque não estabeleceu nenhum. não era concisa. voava ao calhas, ziguezague, despreocupada como sempre, sem projecto, sem plano, sem nada. nem se preocupava nem se cansava. e porque foi em todas as direcções, a cobrir a área da garrafa, acabou por encontrar a saída, sem se dar conta disso, sem perceber.
a conclusão dos cientistas era que um processo caótico podia ser muitas vezes mais criativo e inovador que uma estratégia imutável. na vida era preciso improvisar, ceder ao movimento, desobedecer à lógica, experimentar enfoques novos. de certeza. chegamos sempre ao cúmulo das nossas possibilidades quando estamos fora da caixa, a ultrapassar o desconhecido e as nossas fraquezas. mas não é que a mosca tenha sido mais inteligente nessa situação e a abelha estúpida ao reconhecer padrões e segui-los. o problema da abelha era que foi cegada pela sua rotina e instinto, a acreditar que a única coisa que a podia salvar era algo que já tinha feito e vivido. nunca usou a sua inteligência para encontrar uma solução nova.
o problema dos homens é que são demasiado parecidos com a abelha, a repetir os mesmos erros em continuação. a ter planos para mudar, para fazer coisas novas, ou fazer as mesmas coisas mas num modo diferente, a gozar das ideias de sis potenciais, a prometer-se glórias, quilos a menos, tempo a mais, relações dedicadas, atividades novas, viagens paradisíacas, trabalho melhor pago e mais interessante, admiração dos chefes, colegas, amigos e família. mas tudo isso acaba antes mesmo de ter começado. porquê? porque é simplesmente preciso mexer o cu para realizar esses planos. é preciso dedicação. perseverança. coragem. força. e muito mais.
então a maioria das pessoas prefere deleitar-se com a intenção da sua potencial excelência que nunca se vai materializar. a construir rituais e simbolismos baseados nessas promessas dum início novo, nessas miragens feitas de nevoeiro e pó, em que se finge acreditar e que deixa a consciência um pouco mais tranquila. já se tem a intenção de fazer mudanças, não pode não contar. um dos ritos mais importantes é a passagem de ano. supostamente serve de catarse, de corte decisivo, de renascimento. temos a oportunidade de ser uma fénix virtual uma vez por ano, bem pensado não? faz desculpabilizar quase todos.
difícil dizer o que detesto mais na passagem do ano. a caça insensata e desesperada de divertimento? a pressão social que a acompanha? a hipocrisia da ilusão de conseguir começar do zero? a imposição que um dia que não tem nada de especial ou extraordinário deveria sê-lo? o absurdo das resoluções das quais todos falam? não sou uma grande fã dos simbolismos. e acho estranho tomar decisões para começar coisas ou processos que se pode começar num qualquer dia.
há muitos anos li um artigo a apresentar uma experiência feita por cientistas. uma mosca e uma abelha foram postas dentro de duas garrafas vazias e abertas, sem tampa. na outra extremidade de cada garrafa, no exterior, foram colocadas lâmpadas acesas. estudou-se o comportamento da mosca e da abelha para ver como iam prosseguir para saírem das garrafas respetivas.
a abelha, um inseto reputado pela sua inteligência, e outras virtudes, dirigiu-se para a fonte luminosa. era o que costumava fazer, a sair de troncos de árvores vazios, de estábulos ou da colmeia - voar na direcção da luz, da claridade. mas dessa vez não funcionou; o vidro era um obstáculo. todavia, a abelha não queria parar, a bater nele, a voar em círculos, a não desistir, obstinada e absurda, nunca a querer tentar outra alternativa, nunca a pensar em opções, nunca a questionar, nunca a usar os seus atributos intelectuais, já que os tinha. era necessário interromper a experiência ou morria por exaustão, presidiária dessa sua suposta inteligência que quase a matou em vez de a salvar.
a mosca ficou tranquila, estúpida demais para se fazer perguntas existenciais, ficar frustrada ou querer perseverar. a luz nem a aquecia nem arrefecia. não tinha plano nenhum. não queria seguir os padrões que estabeleceu com a experiência, porque não estabeleceu nenhum. não era concisa. voava ao calhas, ziguezague, despreocupada como sempre, sem projecto, sem plano, sem nada. nem se preocupava nem se cansava. e porque foi em todas as direcções, a cobrir a área da garrafa, acabou por encontrar a saída, sem se dar conta disso, sem perceber.
a conclusão dos cientistas era que um processo caótico podia ser muitas vezes mais criativo e inovador que uma estratégia imutável. na vida era preciso improvisar, ceder ao movimento, desobedecer à lógica, experimentar enfoques novos. de certeza. chegamos sempre ao cúmulo das nossas possibilidades quando estamos fora da caixa, a ultrapassar o desconhecido e as nossas fraquezas. mas não é que a mosca tenha sido mais inteligente nessa situação e a abelha estúpida ao reconhecer padrões e segui-los. o problema da abelha era que foi cegada pela sua rotina e instinto, a acreditar que a única coisa que a podia salvar era algo que já tinha feito e vivido. nunca usou a sua inteligência para encontrar uma solução nova.
o problema dos homens é que são demasiado parecidos com a abelha, a repetir os mesmos erros em continuação. a ter planos para mudar, para fazer coisas novas, ou fazer as mesmas coisas mas num modo diferente, a gozar das ideias de sis potenciais, a prometer-se glórias, quilos a menos, tempo a mais, relações dedicadas, atividades novas, viagens paradisíacas, trabalho melhor pago e mais interessante, admiração dos chefes, colegas, amigos e família. mas tudo isso acaba antes mesmo de ter começado. porquê? porque é simplesmente preciso mexer o cu para realizar esses planos. é preciso dedicação. perseverança. coragem. força. e muito mais.
então a maioria das pessoas prefere deleitar-se com a intenção da sua potencial excelência que nunca se vai materializar. a construir rituais e simbolismos baseados nessas promessas dum início novo, nessas miragens feitas de nevoeiro e pó, em que se finge acreditar e que deixa a consciência um pouco mais tranquila. já se tem a intenção de fazer mudanças, não pode não contar. um dos ritos mais importantes é a passagem de ano. supostamente serve de catarse, de corte decisivo, de renascimento. temos a oportunidade de ser uma fénix virtual uma vez por ano, bem pensado não? faz desculpabilizar quase todos.
difícil dizer o que detesto mais na passagem do ano. a caça insensata e desesperada de divertimento? a pressão social que a acompanha? a hipocrisia da ilusão de conseguir começar do zero? a imposição que um dia que não tem nada de especial ou extraordinário deveria sê-lo? o absurdo das resoluções das quais todos falam? não sou uma grande fã dos simbolismos. e acho estranho tomar decisões para começar coisas ou processos que se pode começar num qualquer dia.
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