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| uma beleza frágil |
mas mesmo a serem preenchidas, mesmo assim, continuam a ser perdas. carências. incertidões. vacúolos emocionais. desaparecimentos. saudades. coisas e pessoas que são substituídas, mas nunca voltam a ser. nunca podem ser recuperadas. são caminhos que se separam, pontos de vista que discordam, personalidades que já não se aguentam, já não se completam, já não compartilham os mesmos sonhos, já não precisam uma da outra.
vejo muita pouca televisão e só vi uma entrevista com a oprah na minha vida, mas gostei do que ela disse. que quando as coisas andavam mal entre duas pessoas, a pequena luz vermelha na nossa cabeça sempre nos dava sinais que havia discrepâncias potenciais. o problema é que, na maioria das vezes, escolhemos ignorá-la. mas a pensar nisso quando a relação está a beira de acabar, conseguimos reconhecer o primeiro sinal de socorro. sabemos quando iniciou o fim. o que começou a desvanecer.
perdas parecem epitomar a pena, a dor de coração, o desespero. algo que temíamos sempre em criança, porque achávamos os amigos e os amores eternos. se calhar não todos, mas pelos menos alguns. mas visto de longe, as coisas não são bem assim. há algo de tristemente bonito, uma suntuosidade refinada, na separação, que se trate de amigos ou de amantes. no facto de se ter completado tanto que se chega na altura em que já não se completa mais. em que já se ultrapassa. em que os caminhos se separam. em que a amizade ou o amor já não são suficientes. em que as amarras precisam ser cortadas. um esgotamento. uma fartura. uma irritação.
como é que se lá chega? como é que se aceita deixar tudo o que se tinha nas mãos? como é que cortar parece a opção mais desejável? é que os outros já não são o que eram? é que não somos o que éramos?
tenho sempre achado que as pessoas faziam parte da nossa vida só durante um tempo determinado. não acredito nos sempre.

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