escrever é tomar decisões, constantemente. rubem fonseca
há alguns remédios para caos na cabeça. para estado de confusão e frustração. para inércia intelectual. ou emocional. para pontos de interrogação que rebentam. algo para limpar a mente. afinar os níveis de energia. recalibrar objetivos. redefinir planos. verbalizar preocupações. ter uma visão clara da realidade. olhar para a vida de fora. andar serve. também correr. e conduzir (na condição que não se esteja rodeado por idiotas que receberam a carta de condução por erro ou por acaso... e há tantos...). devem ser as minhas três atividades preferidas para me repor a um bom nível emocional. dão para falar comigo. concentrar-me só em mim. no que me passa pela cabeça. para esclarecer todas as dúvidas. solucionar problemas. ser criativa. ter as melhores ideias. inventar estratégias. eliminar ninharias. é a minha catarse.
o que levam todas as grandes paixões? paciência. atenção aos detalhes. perseverança. sede constante. disciplina. curiosidade. fazem-nos deitar tarde. acordar cedo. dormir pouco. sacrificar muito. alimentam os sonhos. animam o quotidiano. fazem bater o coração mais depressa. escrever é algo que me tem acompanhado desde quase sempre. mais a sério desde os meus onze anos, mas já escrevia antes. um prazer imenso. uma felicidade intangível. inenarrável. essa sensação a deitar as palavras numa folha de papel. cuidadosamente. meticulosamente. religiosamente. quase a parar de respirar para não estragar nada. ou a senti-las palpitar. batalhar debaixo dos dedos, a deslizar, suaves e ilusórias, no teclado dum computador (não vou até dizer a voar num telemóvel, porque detesto escrever no telemóvel. acho importante parar as emoções quando ainda são honestas, sem embelezar). as coisas só tomam forma depois de eu as ter escrito. os sentimentos materializam-se só depois de eu lhes ter dado nomes. os planos clarificam-se só depois de eu ter ido até ao fundo do que me passava pela cabeça.
gosto de escrever à noite. quando todos já estão deitados, a casa silenciosa. quando nem mensagens nem telefonemas importunam. quando o tempo para. quando a escuridão veste tudo duma camada de intimidade confortadora. quando nos deixa ser o que queremos. quando posso tirar os meus pensamentos das gavetas e deixá-los ocupar o espaço que lhes apetecer. quando escrevo ando sempre no quarto. e muito. falo comigo. emociono-me. pareço completamente lunática. adoro.
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| levar tempo |
o que levam todas as grandes paixões? paciência. atenção aos detalhes. perseverança. sede constante. disciplina. curiosidade. fazem-nos deitar tarde. acordar cedo. dormir pouco. sacrificar muito. alimentam os sonhos. animam o quotidiano. fazem bater o coração mais depressa. escrever é algo que me tem acompanhado desde quase sempre. mais a sério desde os meus onze anos, mas já escrevia antes. um prazer imenso. uma felicidade intangível. inenarrável. essa sensação a deitar as palavras numa folha de papel. cuidadosamente. meticulosamente. religiosamente. quase a parar de respirar para não estragar nada. ou a senti-las palpitar. batalhar debaixo dos dedos, a deslizar, suaves e ilusórias, no teclado dum computador (não vou até dizer a voar num telemóvel, porque detesto escrever no telemóvel. acho importante parar as emoções quando ainda são honestas, sem embelezar). as coisas só tomam forma depois de eu as ter escrito. os sentimentos materializam-se só depois de eu lhes ter dado nomes. os planos clarificam-se só depois de eu ter ido até ao fundo do que me passava pela cabeça.
gosto de escrever à noite. quando todos já estão deitados, a casa silenciosa. quando nem mensagens nem telefonemas importunam. quando o tempo para. quando a escuridão veste tudo duma camada de intimidade confortadora. quando nos deixa ser o que queremos. quando posso tirar os meus pensamentos das gavetas e deixá-los ocupar o espaço que lhes apetecer. quando escrevo ando sempre no quarto. e muito. falo comigo. emociono-me. pareço completamente lunática. adoro.

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