terça-feira, 31 de outubro de 2017

desfantastificação

as coisas mais simples são as que requerem
mais esforço...
passo a vida a ouvir que sou fantástica. tão fantástica. tenho todas essas facilidades... consigo tanto com tão pouco esforço... sou tão rápida... todos esses talentos meus... pareço tão perfeita que até dá dores de cabeça. e é tudo treta. sou normal. sem nada de especial. ou fantástico. aliás, é mentira. tenho é uma coisa fantástica. sou fantasticamente disciplinada.

enquanto as pessoas debatem quando vão começar algo (novo ou velho) e enumeram as desculpas porque ainda não o fizeram, eu começo a fazer. sem grandes preparativos. nem planos. nem aspirações. nem filosofias. enquanto as pessoas passam o tempo a se queixarem quão é difícil, quanto tempo leva, enquanto deixam de fazer, fingem que nem começaram e que se mentem a si próprias que é só temporário e que não estão a abandonar para manter a visão que têm de si próprias, eu executo o que é preciso para atingir o objetivo fixado. esqueço-me do resto. deixo de ouvir opiniões, não reparo nas dificuldades, não me preocupo com o fracasso nem fico desanimada com eles. não me interessa a energia investida. o tempo investido. e quando as coisas não estão a correr como queria que corressem sei que significa que me devo mexer mais. é tão simples.

muitas vezes perguntei-me o que se passava nas cabeças dos outros. porque é que não conseguiam fazer. porque não tinham a mesma motivação. porque queriam tudo ao mesmo tempo e não aceitavam que houvesse um preço. porque abandonavam só porque as coisas estavam a ser complicadas. acho que nunca vou realmente perceber. porque compreendo as dúvidas. compreendo a preguiça. compreendo a falta de motivação. compreendo a incapacidade para agir. compreendo a vontade de querer partir tudo. de fugir. mas só durante uns cinco minutos. depois é preciso deixar-se de merdas. e de ter pena de si próprio. e crescer. e avançar.

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