sábado, 7 de abril de 2018

p de paixão

coisas de cortar o fôlego
nunca faço coisas só por fazer. ainda menos para as fazer mal. preocupo-me que seja bem feito. bem refletido. bem organizado. prático. bonito. estético. pragmático. sem gestos desnecessários. sem esforços desperdiçados. sem energias malgastas. sem trabalho a mais. sem complicações potenciais. sem embelezamentos da realidade. sem mentiras por conforto ou outra razão.

não sei fazer nada sem entusiasmo. sem me investir realmente. sem me dedicar. sem levar a peito. sem achar que vai resultar. nem vejo o propósito de fazer. nunca me pergunto quanto me devo atirar depois de ter aceitado uma tarefa. é óbvio que me atiro completamente. só questiono o que dou se eu for a única pessoa a esforçar-se ou se alguém não respeitar o meu tempo ou trabalho.

não percebo todos esses conceitos de fazer pela metade. em que modo se teria de estar na cabeça para os querer seguir. não consigo funcionar na indiferença. no tépido. no medíocre. no cómodo. no dedicar sem se dedicar realmente. no querer sem querer. no achar sem achar. no esperar que a situação passe ou se resolve por si. quero ser eu a resolver. quero aproveitar as oportunidades. quero situações claras em que sei o que esperar. deixar-me levar pela vida sem estados de alma claramente definidos nunca me interessou.

regra geral, tenho opiniões sobre quase tudo. adoro ou detesto. há poucas coisas que me deixam indiferente. sou feita assim. quando não me apetece ou não gosto, não faço. mas quando faço, dou sempre tudo o que tenho. e um pouco mais. 

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