quarta-feira, 19 de agosto de 2015

na junta de freguesia

vou tirar um número. 

dois homens atrás de mim dizem: como esta senhora é bonita.

volto-me. estou de chinelos, vestido de praia (porque me faz pensar no mar e ficar de excelente humor), cabelo molhado e despenteado (porque detesto penteá-lo). olho em volta de mim. não há nenhuma outra mulher. devem estar a falar de mim. olho para eles lentamente, dos pés a cabeça, depois nos olhos e pergunto: conseguem dizer algo que eu ainda não saiba ou já chegaram ao limite das vossas possibilidades?

ambos ficam de boca aberta. 

saio da sala bastante contente porque detesto elogios. são aborrecidos. não acrescentam nada à situação. não me fazem melhorar em nada. não preciso deles. já me sinto suficientemente bem comigo sozinha. não vejo a utilidade de confirmações externas. não me fazem ficar lisonjeada ou contente. nem percebo porque deveriam. pelo contrário - irritam-me. o ar que tenho só a mim diz respeito. o que tenho na cabeça também. porque é que as pessoas acham que devem interferir na relação que tenho comigo? é duma futilidade incrível. e uma perda de tempo.

não é presunção. acho patético não ser consciente do que se tem de bom e do que se tem de mau. além disso, o que penso de mim é só a minha opinião e nem me interessa que as pessoas concordem comigo ou discordem de mim.

Sem comentários:

Enviar um comentário