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| quando os segundos deslizam |
viajar é perder-se. seguir caminhos ditados pelo coração, pelo passado,
pelos estados de alma, sem mapa. é esquecer-se de todos os pontos de
referência que se tinha. é não ter destino. nem objetivo. é pôr tudo em perspetiva. desencontrar para
encontrar. ter saudades. procurar no fundo de si mesmo. recomeçar do zero. palpar o imprevisível. não esperar mais nada. abrir os olhos por
resignação. parar. prestar atenção. roubar momentos ao tempo. deleitar-se com o cheiro do vento. lembrar-se de coisas pequenas. errar e depois ter a possibilidade de corrigir os erros. ou fazê-los de novo. escutar o imprevisível. experimentar coisas inesperadamente boas. receber sorrisos que dão impulsos para cima. experimentar a bondade gratuita a emanar de pessoas desconhecidas. sentir o calor invadir o coração. querer que o instante dure uma eternidade. tocar nos infinitésimas momentos da vida.
gosto de descobrir modos novos que reinventam o quotidiano. realidades que parecem surreais mas são bem palpáveis. gosto de não me preocupar com o passar do tempo. de fazer tudo devagar. de me perder no horizonte. de ficar debaixo dum céu estrelado que pisca de maneira confortadora. de sentir sal e sol na pele, gotas de chuva no rosto, vento no cabelo. de mergulhar na beleza. de embebedar com a simplicidade. de preencher os pulmões com a frescura do dia e a doçura da noite. de me tornar mais leve. taciturna. de me olhar por dentro. de decidir o que quero mudar. de aprender coisas novas. de me tornar mais humilde. e melhor.
viajar é um desejo insaciável. são folêgos cortados. uma comunhão. uma fusão. uma suspensão. um silêncio cheio de tudo perante uma soberba esmagadora. algo que fica fora do tempo. e, ironicamente, fora do espaço.
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