quarta-feira, 23 de setembro de 2015

que giro...

estou a entrar num centro comercial por uma porta giratória.

em frente de mim - um casal com dois filhos. um menino de se calhar seis anos, gordo (ok, talvez só rechonchudo, mas com um potencial evidente de se tornar gordo num futuro bastante próximo) e cabeludo (o tipo de cabelo liso, meio comprido e abundante) e uma criança de se calhar dois anos, com algo de branco na cabeça que quase lhe tapa os olhos e torna o sexo indefinido e indefinível.

o menino toca na porta de vidro. a porta para.

ele começa a rir-se. os pais ficam entusiasmados.

a porta arranca depois dum soluço solitário. o menino toca-a de novo.

ela para, ele ri-se, eles entusiasmam-se. o soluço. o suspenso no universo perante a genialidade suposta da progenitura. uma pasmaceira absurda. o arranco.

o processo repete-se. parece cada vez mais intenso e mais exclusivo.

devo lembrar-me de entrar por uma porta estandarte no futuro.

Sem comentários:

Enviar um comentário