acho o silêncio, a majestade, a quietude e a frescura dos templos inspiradores. e
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| bagan, birmânia |
incitadores à reflexão. séculos de desenvolvimento espiritual carregam no ar. a sabedoria é palpável. está-se rodeado pelo que mais importa na vida. só é preciso decifrá-lo. a sensação de pequenez, a andar descalça no escuro dos corredores poeirentos, perante algo de tão grande e soberbo, é inefável. esta paz que incita a olhar-se por dentro. a questionar. a acertar caminhos. a responder mais uma vez à pergunta quem se é. pelo menos para as pessoas que se a fazem. percorro os últimos meses. pergunto-me o que podia ter feito melhor. se perdi tempo com pormenores. se foquei bem a energia. como posso corrigir os meus erros para que não aconteçam no futuro. o que queria voltar a fazer.
os meus pensamentos vagueiam até um artigo que li há duas semanas no público, enquanto estava num aeroporto. perguntaram ao andrea petrini, um escritor, jornalista e curador de eventos gastronómicos italiano, quando estava em lisboa, como era que os restaurantes lisboetas se podiam distinguir e fazer com que reparassem neles? uma pergunta velha como o mundo. todos queriam conhecer sucesso numa área que interessa. acertar nas medidas dos seus ingredientes. tais como alquímicos experimentados. uma pergunta com uma resposta só. e que parece óbvia e cliché. mas muitas vezes são as coisas mais simples que são as mais difíceis a ver, atingir, aperfeiçoar. o petrini respondeu que, simplesmente, sendo como eram. parece banal, não parece? mas o ser humano tem geralmente a tendência para querer preencher as expetativas das outras pessoas. ou sonhar com ser completamente diferente. são poucos os que não estão com medo de se enfrentarem. a maioria das pessoas está envergonhada consigo mesma. queria ter o que não tem ou ser o que não é. acha-se não suficientemente inteligente, divertida, esbelta ou bonita. prefere esconder-se e fingir.
não posso pronunciar-me sobre como é que as outras pessoas tratam dos seus eus. como os definem, se os ouvem ou fazem calar, onde é que os posicionam na dinâmica do universo. só posso falar de mim. e o meu eu é muito importante. não sei se isto se explica com o meu egocentrismo, individualismo, caráter insólito ou outra coisa. mas é um facto. e com o passar do tempo percebi que todas as tentativas, empreendidas pelas outras pessoas, para o fazer calar ou tentar subvertê-lo, incomodavam-me muito. incomodavam-me desde sempre. mas levei algum tempo para perceber que era essa a razão do meu desconforto. ou pelo menos do facto de não me sentir eu própria. para estar confortável, devo poder fazer as coisas à minha maneira. tudo o que o impõe é uma ingerência no meu eu. sou extremamente territorial. com o meu corpo, as minhas ideias e os meus bens (sobretudo o meu carro; o leszek diz sempre que o meu carro e eu temos uma relação sexual). intromissões no meu território, que só a mim deveria dizer respeito, são algo que já não tolero. passei os meus anos 20 a tolerá-las e nunca me senti bem com isso. até me sentia abatida e miserável. como se alguém tentasse tornar-me numa outra pessoa. contra a minha vontade. porque gosto imenso de ser eu. e de só ser eu.
por isso agora só uso a roupa que me apetece (com algumas adaptações culturais quando estou a viajar), continuo a dizer o que penso e fico ainda mais intransigente, quando se trata de comunicar às pessoas que sou um pacote e ou me aceitam como sou ou podem mandar-me profissional ou pessoalmente à merda, porque já sei muito bem com o que estou confortável e com o que não, então as únicas expetativas que tenciono preencher são as minhas.
não sei se é nisso que estava a pensar o petrini, mas faço-me distinguir de certeza. e todos reparam em mim. mas nem me aquece nem arrefece. sou como sou.
por isso agora só uso a roupa que me apetece (com algumas adaptações culturais quando estou a viajar), continuo a dizer o que penso e fico ainda mais intransigente, quando se trata de comunicar às pessoas que sou um pacote e ou me aceitam como sou ou podem mandar-me profissional ou pessoalmente à merda, porque já sei muito bem com o que estou confortável e com o que não, então as únicas expetativas que tenciono preencher são as minhas.
não sei se é nisso que estava a pensar o petrini, mas faço-me distinguir de certeza. e todos reparam em mim. mas nem me aquece nem arrefece. sou como sou.

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