terça-feira, 8 de março de 2016

dia do homem

recebi hoje um email da bertrand a informar sobre 20% de desconto em todos os livros e para todas as mulheres. fiquei entusiasmada durante alguns dez segundos, porque os livros são a única coisa, além dos sapatos, que gosto de comprar. depois, o meu entusiasmo evaporou-se. era hipocrisia pura usar esse desconto.

sou contra todos os tipos de 'dias de'. não percebo porque é que eu deveria ficar contente por alguém me desejar um 'feliz dia da mulher'. o que há de agradável nisso? não gosto de esforços ostentatórios feitos uma vez por ano. nem da atenção dada só porque o calendário o manda. nem de grandes palavras vazias, sem sentido tangível. o cuidado, o pensamento, expressam-se em gestos pequenos. pontuais. discretos. inesperados. quotidianos. invisíveis. sempre presentes quando for necessário. em grandes atitudes.

sou também pela igualdade dos sexos. quero o mesmo tratamento, as mesmas expetativas, as mesmas regras. não se pode ser levado a sério a pedir exceções ou favoritismos o tempo todo. ou a fingir não saber/poder/conseguir (riscar a menção inútil) fazer muitas coisas. são desculpas de merda. lembro-me que, num dia de teste, enquanto o leszek estava a levar-me para a escola, expliquei-lhe que ia ser mais difícil para eu tirar uma nota boa, porque tinha o período nesse dia e tinha lido um artigo a dizer que, com o período, a produtividade e a eficácia da mulher decrescia em 14%. o leszek olhou para mim, tranquilamente, e concluiu, simplesmente. então significa que tens de ser melhor de 14% que todos.

simples, não é? e decidi tornar-me melhor.

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