quarta-feira, 20 de abril de 2016

(in)compatíveis?

decorações de natal em outubro...
a nossa sociedade é o que há de mais consumidor. o epítome do gasto. substituir bens é um dos nossos passatempos preferidos. e tão fácil. e já quase pseudo-natural. sempre fizemos assim, não fizemos? poupa tempo e energia. poupar tempo tornou-se numa obsessão. ficamos descontentes todas as vezes que somos forçados a fazer mais esforço que só reinar a nossa vida com uma série de cliques e de delete (frenéticos, os delete). quando algo se avaria ou parte; quando não serve; quando não preenche todas as nossas expetativas, mesmo as nunca exprimidas, escondidas nas complicações da mente; quando já há uma versão mais nova ou mais atraente; quando já não interessa; quando ficamos aborrecidos por uma razão qualquer ou sem razão; quando requer demasiado trabalho ou simplesmente algum trabalho; quando não temos nad para fazer, compramos outra coisa. e jogamos fora o que já achamos não precisar.

e não se limita só aos objetos ou serviços. prosseguimos da mesma maneira com pessoas. sic. quando lhes detetamos defeitos, imperfeições, coisas que nos incomodam, das quais não gostamos, quando percebemos quanto trabalho e concessão a relação vai exigir, quanto vamos ter de mudar ou adaptar, acabamos com ela. nem nos passa pela cabeça que se pudesse simplesmente resolver a situação. para o quê? há uma multidão de pessoas prontas para se tornarem o nosso próximo amigo ou parceiro sem exigirem esse trabalho todo. ou pelo menos é o que parece. ou o que gostamos de pensar. temos a impressão de ter o mundo aos nossos pés, acesso a todos e hipóteses e oportunidades indefinidas. que ilusão... infelizmente o simples não se consegue aplicar em todas as alturas.

ao ultrapassar a barreira do superficial, ao entrar no honesto, na dedicação, há sempre um preço a pagar. um tempo a levar. umas coisas para abdicar. uns esforços para fazer. umas dificuldades a solucionar. claro, é mais fácil abandonar. mas perde-se muito. há laços que só se criam com descobertas profundas e muitas vezes negativas. consegue-se separar os verdadeiros amigos dos supostos durante períodos difíceis em que perdemos o nosso encanto quotidiano. além disso, a perfeição é algo de extremamente chato. o que torna as pessoas interessantes são os defeitos delas. e a intensidade desses últimos. faz toda a diferença. por isso não se consegue substituir tudo. nem todos.

é só possível viver coisas novas. ou diferentes.

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