segunda-feira, 25 de abril de 2016

mostra-me o que tens para dar...

... e digo-te quanto vales.


li uma vez um artigo de sociologia que explicava que quando uma rapariga bonita passava na rua, todas os homens olhavam para ela e o sociólogo era esse individuo curioso que, em vez de olhar para a rapariga, preferia olhar para os homens, para avaliar a reação deles ao verem a tal rapariga. devo admitir que gosto muito de observar as pessoas, sobretudo em situações complicadas em que se tenta marcar o seu território. ou impressionar. ou quando se acha que ninguém está a olhar. muitas vezes, nota-se comportamentos absolutamente egoístas e patéticos. a potencial hipótese de fama e de ascensão social ampliam quem somos. porquê? porque a estar tão perto do que é mais cobiçado (que levem a mão os que não queriam ser famosos ou ricos ou ainda melhor - ambos), ficamos tão fascinados pela nossa própria soberbia e genialidade que nos esquecemos de filtrar e controlar o nosso comportamento. se calhar até julgamos que já não é preciso fazê-lo, não é preciso manter aparências ou controlo sobre nos, porque todos já queriam estar no nosso lugar.

maneiras mais atraentes
há pouco tempo, fui a um encontro onde havia algumas pessoas famosas. numa altura notei duas raparigas um pouco gordas e não especialmente lindas com decotes que chegavam até ao umbigo. percebo que se possa querer exibir os trunfos. sobretudo quando se acha ter poucos. mas nunca é bom resumir-se a eles. deve-se ter mais dignidade do que isso. deve-se apresentar mais do que só o banal. não se desperta a atenção verdadeira das pessoas a oferecerem-se imediatamente a todos. sem limites. sem privacidade. sem se valorizar. ninguém respeita os que não se respeitam a si próprios.

tive uma aluna que a chegar à aula, costumava cuidadosamente pôr a mala, duma marca muito conhecida e cheia de logos, na mesa e já não dava para lá pôr outra coisa. a mala ocupava a superfície toda. eu achava isso muito divertido. que em vez de privilegiar a aprendizagem, em vez de se descobrir e procurar horizontes novos, se pudesse focar num objeto completamente insignificante. caro, certo, mas sempre só um objeto. além disso, um objeto feio. nunca percebi essa predileção para os logos. era como usar roupa sem tirar a etiqueta do preço. era dar-se um valor, pôr-se um rótulo, resumir-se ao superficial. cada vez que vejo alguém cheio de logos quero perguntar-lhe se já pensou em se tatuar o tal logo na testa, assim era impossível não o ver. lógico, não é? as pessoas que sentem a necessidade de se gabarem e manifestarem à humanidade inteira como são fixes, matam todo o interesse que eu possa ter nelas e isso durante os primeiros três segundos. porque quando já não há mais nada para se descobrir numa pessoa para que serve o relacionamento?

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