ao percorrer de maneira rápida e energética, perdida nos meus pensamentos como de costume, os 60 metros que separam o carro da porta da casa, encontro um indivíduo de cabelo grisalho, óculos de sol, bermudas beges e uma tshirt duvidosa. acho que deve ser o proprietário da casa vizinha que está sempre alugada.
ultrapasso-o.
ouço por atrás de mim: porque é que a menina está a andar tão rapidamente?
volto-me (incrível que nem se consegue estar tranquilo em frente da sua casa a fazer as coisas como se gosta): porque é o meu ritmo natural?
grande sorriso debaixo dos óculos escuros: esses adolescentes de hoje, sempre a correr.
pela primeira vez olho para o homem com atenção. avalio o potencial estado de embriaguez. (in)felizmente nenhum. apetece-me dizer-lhe que já tecnicamente tenho a idade para ser mãe de adolescente, mas ele parece tão contente consigo mesmo, que abandono a ideia.
aceno com a cabeça com cumplicidade e faço entrar o meu corpo de adolescente em casa.
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