não há duas coisas idênticas na vida. não existem. nem metades de cara, nem de laranja. é um conceito concebido pelo homem para supostamente dar um sentido à existência, uma eternidade passada à procura duma sensação efémera e ilusória. tempo espalhado a errar nos labirintos da vida, a enfrentar bifurcações inumeráveis, a ter déjà vus que se anunciam prometedores só para caírem aos pedaços cinco minutos mais tarde. para quê isso? chegar a um porto fantasma onde espera o familiar, o mesmo, o exato, tão reivindicados? o facto de se sentir completo? uma alma gémea? não funciona assim. o que se apresenta é o diferente. o inexato. a assimetria reina em tudo. a natureza revelou-se completamente perfeita na sua imperfeição. generosa e fantasista na distribuição. com um sentido de humor. há sempre um pequeno mas, um exceto, um quase. um traço infinitésimo que às vezes pode parecer indiscernível, às outras flagrante.
os mundos são diferentes, as histórias e preocupações várias, as perceções e os
valores divergentes, as soluções e os recursos desiguais. não há pessoas que sejam cópias perfeitas. nem fisicamente, nem mentalmente. mas nesses mundos que nem se seguem nem se completam, nas grandes linhas gostamos das mesmas coisas. sentarmo-nos ao fim do dia com uma bebida fresca depois de termos enfrentado os obstáculos do quotidiano. passarmos tempo com família e amigos. cuidarmos de coisas que importam. não termos de nos preocupar com faturas a pagar. olharmos para a vida a tentar extrair migalhas de beleza, de conforto, de propósito.
tantos elementos que unem, ligam, acercam. denominadores comuns. convergências. coisas que exploramos porque sabemos que a força verdadeira só pode existir na unidade. na união. concordamos com projetos. sentinelas dum futuro incerto. se calhar melhor. ou pior. inventamos medidas. assinamos acordos. já não queremos cometer os erros do passado. tentamos caminhar de mão dada como crianças parceiras. confiantes. colocamos bandeiras que reivindicam respeito, equidade. rodeamo-nos de conceitos nobres e bem feitos. é o triunfo da solidariedade. é? porque parece ter limites. nos momentos de crise, de dificuldades, o que deveria unir - desune. os fundamentos são esquecidos. o que importa é não ter de ceder demais.
uma atitude de dono da situação. uma cara de jogador de póquer que fala de vantagens e inconvenientes. que pode admitir um erro indelével, mas não o corrigir. seria um sentimento de ameaça que despertasse essas sensações? uma loucura solitária quando nem temos garantias nem certezas? uma relação de amor-ódio em que queimamos consumidos pelo fogo eterno das nossas pulsões? um plafond de tolerância já atingido? seria porque atribuímos demasiado valor a algumas coisas e pouco a outras? porque inventamos grandes teorias para explicarmos coisas que não precisam de explicações?
propósitos perdem-se. às vezes na vida o que importa não é a cor, o jogador, o orgulho, a pretensão. é o que vivemos nas entrelinhas. às vezes, só isto conta. e nada mais.
| pequenos gestos, grandes atitudes |
tantos elementos que unem, ligam, acercam. denominadores comuns. convergências. coisas que exploramos porque sabemos que a força verdadeira só pode existir na unidade. na união. concordamos com projetos. sentinelas dum futuro incerto. se calhar melhor. ou pior. inventamos medidas. assinamos acordos. já não queremos cometer os erros do passado. tentamos caminhar de mão dada como crianças parceiras. confiantes. colocamos bandeiras que reivindicam respeito, equidade. rodeamo-nos de conceitos nobres e bem feitos. é o triunfo da solidariedade. é? porque parece ter limites. nos momentos de crise, de dificuldades, o que deveria unir - desune. os fundamentos são esquecidos. o que importa é não ter de ceder demais.
uma atitude de dono da situação. uma cara de jogador de póquer que fala de vantagens e inconvenientes. que pode admitir um erro indelével, mas não o corrigir. seria um sentimento de ameaça que despertasse essas sensações? uma loucura solitária quando nem temos garantias nem certezas? uma relação de amor-ódio em que queimamos consumidos pelo fogo eterno das nossas pulsões? um plafond de tolerância já atingido? seria porque atribuímos demasiado valor a algumas coisas e pouco a outras? porque inventamos grandes teorias para explicarmos coisas que não precisam de explicações?
propósitos perdem-se. às vezes na vida o que importa não é a cor, o jogador, o orgulho, a pretensão. é o que vivemos nas entrelinhas. às vezes, só isto conta. e nada mais.
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