sexta-feira, 24 de julho de 2015

oficialmente loura

todos na minha família, além do piotrek e de mim, têm o cabelo liso e bastante fino. o piotrek e eu temos a crina encaracolada da nossa avó materna. todos os amigos dos meus pais queriam dar-me palmadinhas na cabeça quando eu era criança para tocarem no meu cabelo bonito, como se eu fosse um animal de estimação. e eu respondia que era fora da questão que eles tocassem no meu cabelo limpo com as mãos sujas.

o meu cabelo e eu, não foi uma história de amor à primeira vista. e não só porque não acredito no amor à primeira vista. há pouco tempo, uma aluna de sete anos e cabelo liso olhou para mim e suspirou que ela quis sempre ter o dela naturalmente encaracolado. olhei para ela, a sorrir, e respondi que eu sempre quis tê-lo liso. em adolescente, achei o liso sensual, macio e elegante, enquanto o meu tinha mais a ver com uma esfregona, uma grenha. e até aos meus quinze anos, tinha o cabelo muito curto. os meus pais mandavam assim porque não me penteava (algo que só as pessoas com cabelo encaracolado conseguem perceber). e é uma atividade de que continuo a não gostar e que faço tão raramente quanto posso. não possuo um secador de cabelo. as visitas ao cabeleireiro dão-me arrepios. devo ser uma das poucas mulheres que querem que os seus cortes de cabelo não se notem. quero tê-lo simplesmente e só comprido, então não vejo o propósito de comentários tipo mudaste o cabelo. não tenho a intenção de mudar nada. sou muito pouco aventureira nesta área. uma vez o cabeleireiro, que ainda não perdeu a esperança de me convencer um dia destes a mudar de cor ou fazer um corte fantasista, insistiu em mo lisar. eu tinha um ar tão débil depois que, ao voltar a casa, imediatamente passei o cabelo por água. não me sentia eu própria. as coisas são o que são - só me sinto mim com um a esfregona na cabeça. mas uma esfregona bonita. paciência.

a minha esfregona pessoal têm mais uma particularidade - esclarece com o sol. mas tanto que ninguém acredita que seja natural. que vão à merda. passei a semana toda a observar a influência dos raios corsos no meu cabelo. se eu já devesse escolher uma cor, queria ser ruiva. loura nunca me interessou. é banal. bucólico. ingénuo. não faz ressaltar a cor dos olhos tão bem como um cabelo mais escuro. mas aconteceu. 

vou voltar loura e numa forma que tive poucas vezes na minha vida, devido às horas passadas a andar com uma mochila tão pesada. não sei que parte é que me assusta mais, mas estou curiosa no que ambas vão dar.

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